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pois metade de mim é o que ouço a outra metade é o que calo (Oswaldo Montenegro)

Gustavo Minarelli

Occupation
Interests
Meu nome é Gustavo, moro em São Paulo, meu valor sou eu mesmo, meus ideais, atividades e atitudes que devem ser compativeis comeles, caso contrario n me sentirei bem.
Sobre mim
Adoro ajudar aos outros e ver quem está ao meu redor feliz me faz feliz. . n faça aos outros o q n quer q façam para vc. (simples, mas completa).
. Ninguem merece ser julgado
. O perdão n é uma troca, é uma paz com si mesmo.
. Ninguem pode lutar pelos seus direitos se nao souber quais são.
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...

August 09

Aquilo que eu sei

Aquilo que eu sei
 
Eu sou besta eu sei que sou
mas não sou mais o que não sou
Mas eu sei que sou mais não dou
Não te dou o que não dou

Não tenho, não terei
E se terei não darei
Não te dei o que fechei
Não ganhei e nem mandei

Não mandei e nem abri
Não sei nem o que não sei
Eu só sei que eu não vou
Eu só, eu sei que não te entreguei

Só eu sei
O quanto eu te amei
O quanto eu te quiz
O quanto eu te persegui
Segui

Só eu sei
O quanto eu me acostumei
Com sua linda cor e voz
Com seu tom de luz e algoz

Só eu sei o que te quiz
Só eu sei e só eu posso
Deixar de te querer
Deixar de te sentir

Deixar de me apaixonar
Por ti
Só eu
Só eu posso

Não queira você
Dizer a mim
que eu devo lhe esquecer
Se só eu sei

O quanto eu me acostumei
O quanto eu te amei
O quanto eu te quiz
O quanto eu te persegui

Só eu sei deixar de ouvir
Só eu sei
Eu não sei
Não sei como te esquecer

Não sei deixar de querer
Não sei como não sentir
Não emendar e nem fechar
Não sei fechar o que abri

Só eu sei o que você sabe
Não esqueça o que eu não sei
Saberá dizer pra mim
Aquilo que eu sei e esquecerei

Só tu tens a lembrança
A lambança esquecerei
Só tu tens em abundancia
Aquilo em que me lambusei

Guarde na lembrança
A riqueza que esquecerei
Um dia iremos nos apaixonar
Ter filhos, envelhecer, voar

No dia em que na terra voltar
Aterrizar, dezaterrar o que aterrado está
Voltar a lembrar, viver
E nunca mais esquecer
 
[Glum - 05 de Janeiro de 2009]

Eu herói Seu

Eu herói Seu

Eu vou andar rápido
Vou cantar, rolar, vibrar
Vou mandar, vou ajudar
Eu vou falar

Beberei o barro
Secarei as ruas
Herói serei
Sem dó, eu só

Eu salvarei-te daquilo que te fez
Molharei o barro para fazer o rei
Verei a terra, pedra e algóz
Serei eu a sua vóz
 
[Glum - 05 de Janeiro de 2009]

Nado

Nado

Deitado na beira da praia
Te aguardava de braços fechados
Pernas entreabertas
Cabeça semi enclinada

A esquerda passava a barca,
o pescador lá no fundão
e nas encostas do morro
barrigadas de baleia faziam barulho

- Melhor assim
Dizia o casal
que andava na calçada
enquanto eu nadava

Aguardava-te
Imaginando-me eternamente ao seu lado,
a nado
nadava e nada

Perdia a fé
lançava-me imaginando seus pés
beijava, voluntariamente implorava
E nada. Você nadava e eu nado.
 
[Glum - 18 de fevereiro de 2009]

Agora

Agora

Sim, foi bom
Bom enquanto ficou
Bom que passou
E bem renovou

Bom que agora é bom
Bom que não acabou
Bom que deixa ir
Bom, e daí

Foi som
Foi sol, lua, vento
Foi o bom que ventou
Ventou, levou

O vento levou
Que bom que ficou
Bom que não foi
Bom que chorou

É bom a saúde que fica
É bom a saudade que não vai
É bom a lembrança que vem
É bom a memória que traz

O bom o vento levou
O bom lá atraz ficou
O sonho que se renovou
É som, sol lua, ventou, levou

Cabum, bom, trovão
A chuva passou
O bom que foi
O bom deixou
 
[Glum - 23 de Junho de 2009]

Embalada

Embalada

Flecha certeira
Acertou minha lembrança
Rio de Janeiro
Manda chuva pra secância

Sei que leva minha vida
Sei que chama minha sina
Sei que guarda minha vida
e vinde a mim, minha saudade

Minha chama
Vem chegando recebendo
Tu és a minha cada sua casa
minha vinda, e sua cabeça

Vem capenga esticada no cubículo
Nesta sala tenebrosa vida ciumenta
Minha lembrança dolorida
alogo a arena alongando santo amor

Foi seu canto no meu canto
tocou a minha chama
Me chamou e encantou
Foi embalado adoidado indagado

A lembrança escusa que a vida tem
São as águas da vida que você batizou
Santo amor, foi encanto que caiu e ficou
Quem encantou minha vida foi tu

Foi tu que encantou
Foi tu que cantou
Mas quem embalou minha vida
Foi a ira do amor
 
[Glum - 09 de Agosto de 2009]

Massa morta

 
Massa morta
 
Me conquistou na força
Me bateu
Amaçou salteou temperou
me colocou na forma
 
esqueceu do fermento
fiquei dura
não cresci
 
massa morta
então...
me jogou fora
 
ali na esquina
encontrada...
um mendigo me fez feliz
 
[Glum - 07 de março de 2009]
November 29

Freud explica

Freud explica

Oi meu amor
Me ajuda a fazer uma poesia
De que tipo?
Não sei

Como que você vai escrever sem saber gatinho
Não sei
tem que ter o tema
Porque tem que ter o tema?

Então você pega uma palavra
A primeira que vem na sua cabeça
Ai dá um dadaismo
Junta tudo e dá

Como assim?
Dadaismo gatinho
Como assim?
Ah não tenho nada mais para dizer não

É assim que faço poesias
As palavras vão saindo
Acho que froid diz alguma coisa sobre isso
Que você vai falando
As coisas vão saindo da sua cabeça
Você não tem o controle

É muito rápido
Falar
Ah falar
Falar é poesia

Froid?
Freud?
Explica
Freud Explica!


[Glum - Li 29 de Novembro de 2008]
January 19

Será?

Será?
 
Uma vez eu fui num lugar
qual o nome de um lugar?
no trevo, conhece o trevo?
Ordem orgânica espiritual
 
Fiz uma consulta
Um
Uma vez eu fui
 
Perguntei algo
As três pessoas começaram a rir
Vai sim, vai sim, disseram
Será?
 
[Glum - 19 janeiro 2008]
December 27

Dezembro de Jesus

Dezembro de Jesus

Dezembro
Dez horas e vinte cinco minutos
Aos vinte cinco dias
Agora, vinte e seis minutos

Jesus chega no trabalho já querendo ir embora
Agora, coragem
Na solitaria sala de cem metros quadrados
a hora é de esperar

esperar a hora passar
passou, agora apenas mais dois
dois minutos na vida de uma pessoa
em uma sala de cem metros quadrados

(Glum - 27 de dezembro de 2007)

October 18

Chão de outono

Chão de outono

As folhas das árvores secas
caiam no verão
era chão de outono

[Glum - 18 de outubro de 2007]

Dois seres

Dois seres

É gosto só amar
Gostos de prazer
Gostos de valor
Gostos, dois rostos

Dois corpos
Dois amos
Damo e dama
Dois gostos

Dois copos
Dois donos
Gostos, o de fazer
Gostos, o de calor

Dois seres
sereia
serei
ser

[Glum - 18 de outubro de 2007]

A sua agenda

A sua agenda

A sua agenda
Não é minha agenda
A sua vida
Não é minha vida

A sua ida
Não é minha ida
A sua vinda
Não é minha chegada

Não é minha alça
Minha mala
Meia calça
Não minha porca alma

Abre a porta
Deixa entrar
Deixa eu ir
Deixa eu pensar

A sua não é minha
A minha não é sua
Dai-me a sua liberdade
Que eu te dou a minha idade

Minha velha vida
Depenada, encrostada
Minha velha alma
Submersa, realçada

Sai da minha casa
Não meu
Não teu
Sai da minha alça

Minha sua mole crua
Cai de monte encrua
Vai ao conde e turva
Sai daqui, pra sua turma

[Glum - 18 de outubro de 2007]
September 18

Cheiro de pé

Cheiro de pé

Cheiro de pé
Comida do pé
Fruta lambida
Carne crua na comida

Cheiro de mão
Arroz com feijão
Batata no pão
Solidão

[Glum - 18 Setembro 2007]

Se eu for Deus

Se eu for Deus

Se eu for Deus
Maria é uma anja
Ângela uma canja
Mariângela arcanja

Se eu for seu
Maria, uma filha
Ângela, sobrinha
Mariângela, do Abreu

Eu não sou Deus
Mariângela, não é de Abreu
Ângela, nem da família
Maria, a empregada vizinha

Galinha na canja
Maria a anja
Mariangela arcanja
E eu... Adeus

[Glum - 18 de Setembro 2007]
September 15

Ciúme

Ciúme

Foi ciúme sim
Grave, vil
Você viu
Pois vi!

Eu sim.
Fingi clareza,
passei,
ignorei certeza.

Visse.
Me seguei.
você...

Por beleza
passei fome,
duvidei da fé,
esqueci a cor.

Mandei flor,
passei dor.
Ferido, que seja.

Feria!
A cor que fosse,
que aceitasse.
Eu aceito.

Perfeito,
bem feito,
por medo eu feri.

Dô, que não dói
Dor que não fiz
doí e a dor dei
deitei

[Glum - 15 Setembro 2007]

Súbita

Súbita

perdi a dor
perdi a cor
a idade
a vontade

beldades
verdades

fiz alarde
fiquei a vontade

alegrei a tarde
virei frade

fui tarde

[Glum - 15 Setembro 2007]

Faz tempo

Faz tempo

Faz um tempo que não escrevo
Faz um tempo que não brilho
Faz um tempo que não crio
Faz um tempo que não vivo

Faz bastante tempo que não vô
Faz muito tempo que não vôo
Faz aquele tempo que não sou
Faz um tempo que não tou

Faz um dia que não creio
Não ligo a pia
Não me lavo
Não bebo
Nem noto que estou cheio

Não como
Não durmo
Não choro
Não mexo

Faz um mês
Faz Três
Nem sei
Faz tempo...

[Glum - 15 setembro 2007]
June 27

Poema em linha reta (original)

EIIII... para aqueles que se interessarem, desta vez eu vou publicar também a versão original

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)

Poema em linha reta

EEEEEEE Fernando Pessoa  ------ para quebrar um pouco a rotina :) --------------------------- Poema em linha reta ---------------------->

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)


May 22

Amar calado

 
Amar calado
 
Amor
é só amor
tão só
que nada dá
 
apenas dó
desilusão
paixão
Amar
 
é só amar
tão só
que nada dá
apenas dá
 
desiludir
implodir
Parar
É só pensar
 
nada pra dar
nada pra pensar
desenhar, desdenhar
pensar
 
Ah sim...
pra que amar?
pra ter... o que falar
Sorrir. Só rir.
 
[Glum - 22 de maio de 2007]
May 19

Perdi...

Perdi...
 
Somente escrevo
quando perco
e só ouço o que conheço
pois rico esqueço
 
Que a voz que desconheço
é a que mais preciso
e esqueço precisamente
daquilo que desdenho
 
Desenho quando menos vejo
Perdendo a voz
falo do meu faro
balbuceio meu desejo
 
sim... meu
Te peito...
Teu peito...
Perdi...
 
Que pleito...
Seu seio...
só eu sei
sou seu
 
[Glum - 19 de Maio de 2007]
April 07

Pela paz

 
Pela paz
 
Deitado
Mergulhei num pote de antraz
pela paz
 
[Glum - 07 de abril de 2007]

Tão simples pecar

Tão simples pecar
 
Olhei bem fundo
nos seus olhos, pequei
aquele dia, ganhei
 
[Glum - 7 de Abril de 2007]
October 28

Com meus braços faço o que eu quizer

DOS PÉS À CABEÇA
DOS PÉS À CABEÇA
Thelma Chan
Álbum contendo canções da renomada compositora e educadora Thelma Chan. Através de uma viagem musical pelo corpo humano, a autora conduz as crianças à conscientização das partes do seu corpo utilizando músicas alegres que sugerem exercícios físicos com os pés, tornozelos, joelhos, braços, etc. Trata-se de um excelente material para professores de educação infantil e iniciação musical. Acompanha CD com gravações das composições e playback para trabalho em sala de aula.

Se vocês querem ouvir minha voz, na minha infância, saibam que podem obte-la agora na livraria Saraiva!!!

Adianto que não tenho nenhuma comissão sobre isso não.. rss

Link:
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=1463381&ID=C95136CA7D60A1C1331350124

 

 

October 20

Segredo dos sabidos

Segredo dos sabidos
 
O corpo fala
sua lingua toca, cala
sente e se esconde
sua liguagem bem longe
 
os cochichos do corpo
mansos e não ouvidos
sentidos e perdidos
e notados sem ser vistos
 
Sentido da lingua do corpo
e da linguagem no corpo
que tropessa em sentidos
pensa e sente comichos
 
olhares discretos
não permitidos
que se bastam, diretos
um segredo dos sabidos
 
(Glum - 20 de outubro de 2006)
 
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